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A arte está em nós, devemos apenas deixá-la livre pra poder se expressar de alguma forma: escrevendo, pintando, desenhando, cantando, fotografando e até mesmo sonhando... ou seja, do jeito que tem que ser!















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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um conto, vários comportamentos, muitos sentimentos e dois nascimentos; e uma breve visão de como o homem deve ver e agir com sua mulher e vice-versa. E descubra o que é o "Orvalho de Pérola"... Vanyr Carlla

 

Orvalho de Pérola

Manhã nublada, mas com expectativa de um dia lindo, de muita luz solar. Havia chovido durante a madrugada e a manhã estava repleta por um tempinho sugestivo de muita preguiça, daqueles que gostamos de ficar abraçadinhos na cama e esquecer que o mundo lá fora existe. As expectativas de Dulce eram tão afloradas que ela pulou da cama ao primeiro sinal de uma luz que adentrou a fresta de sua janela. Abrindo a janela pode ver a imensidão do mundo a sua frente, verificou toda beleza a sua volta e percebeu que estavam tudo radiante, reluzindo ouro. Os pássaros cantavam alegremente uma melodia que ela sentiu penetrar os labirintos do seu corpo e da sua alma, levando-a a uma letargia momentânea.
Dulce verificou sua bagagem e chamou Samuel para que se levantasse, após admirá-lo por instantes; seus olhos sempre brilhavam quando olhava para ele! Seria um dia especial para eles e ela não queria se atrasar para chegar à maternidade, com certeza a equipe médica já estava se preparando e ela não queria atrasos. Samuel levantou feito louco desvairado, correndo para se arrumar, ele em sua sonolência não percebeu de antemão o andar do relógio, mas logo se restabeleceu na realidade enquanto abraçava e beijava sua meiga Dulce, todo empolgado. Com dificuldade ela desceu a escadaria do sobrado onde moravam e foram rumo à chegada de seus filhos.
Na maternidade já estavam toda a equipe à sua espera, visto que atrasaram uma meia hora do horário marcado. Já no centro cirúrgico Dulce sentiu padecer o seu corpo, uma nuvem escura invadiu seu olhar e os sons foram desaparecendo aos poucos até não ouvir mais nada, para desespero de Samuel que acompanhava a equipe, ele foi retirado do local imediatamente; com aquele corre corre dos instrumentadores, ele saiu arrasado, chorando por sua Dulce amada, sua esposa querida.
"A água que jorra do coração, inunda todo o interior humano de orvalho divino". Um choro de bebê penetrou teu ser, e logo sentiu a pele de seu filho Yago, ela não o via mas podia sentir que era ele; seu choro era forte e penetrante como a luz penetra a sombra, dando brilho e vida ao que morto parecia. O choro de Giovana, também um sopro de Deus, pode ouvir logo em seguida; também forte e vibrante, uma princesa chegou em sua vida, tão esperada e tão querida! Sua pele macia e molhada foi tocada sem muita exatidão, Dulce ainda desfalecida não tinha muita noção, apenas o sopro forte de vida de seus filhos é o que ela percebia no momento. A sensação de benção celeste, uma graça vivificante, o Orvalho de Pérola que evoca o sangue redentor de Cristo! Do sangue que cai gota a gota, e de cada gota desabrocha uma rosa, uma flor! O orvalho que regenera célula por célula, porque este orvalho é revivificante, é o "Orvalho de Pérola"!
O Orvalho de Pérola é uma benção divina! O que jorra de um coração de luz, um coração cheio de amor, um coração cheio de compaixão, um coração onde Deus é o inteiro o qual inunda o ser humano desse orvalho regenerador; e Deus em sua infinita justiça não deixou que este coração tão jovem, tão limpo deixasse de bombear a água clara e abençoada que origina tão maravilhoso orvalho. Dulce abriu os olhos e continuou a perceber a magnitude de ser parte da luz; o que seu inconsciente não lhe contava é que esteve prestes a ir embora, deixar seu corpo padecido e sofrido por dar a vida à duas crianças, a dois anjos enviados do céus. Samuel já tranquilo no quarto, admirava a beleza de Dulce. Como podia amar tanto uma pessoa, seu nome fazia juz a ela, era tão doce tanto quanto o nome que tinha.
Samuel ficou inquieto durante a noite, estava cansado por dar atenção às visitas e muito mais pelo estresse passado durante o parto, o medo de perder seu amor foi tão intempestivo que não pensou em mais nada até que ele soubesse que ela estivesse bem. Um devaneio havia o levado a um outro mundo, que sem perceber onde estivera apenas lembrava como um sonho: a queda do orvalho doce significava a união harmoniosa entre o Céu e a Terra. Ele é a água pura, a preciosidade e o princípio por excelência que condensou das forças celestes. Andou por campos verdes durante um amanhecer e percebeu que a plantação ao lado deste campo também era verde, cheia de vida e estava regada por gotas de orvalho, do orvalho fecundo e restaurador que brilhava como cristal ao receber os primeiros raios do sol.
Dulce, agora mais do que nunca era pra ele como a lua, não no significado da passividade, da falta de brilho ou de frieza, mas como a força e a fertilidade femininas que a lua sugere, como o conhecimento indireto, discursivo e progressivo. E da lua caem as gotas de orvalho do infinito azul celeste; a Lua é o coração que jorra água pura do orvalho que alaga suavemente as entranhas da Terra! De Dulce veio o orvalho doce, terno e frutificador! As crianças são suas estrelas, aquelas que brilham, são uma torrente de forças internas que lhe correm por todo o seu corpo, suas veias e artérias. Ouviu uma voz serena e meiga a lhe chamar, era Dulce o buscando desse mundo de sonhos e perfeições, mas que pra ele continuava lá mesmo, já que ela era a Deusa do seu altar.
Ela após dormir por 6 horas seguidas acordou ainda sonolenta querendo ver as crianças, afinal não viu os rostos de Yago e Giovana. Até mesmo Samuel ainda não tivera o prazer de contemplar as crianças, visto que elas foram levadas para a incubadora após o nascimento. O pediatra lhe informara que estavam bem, mas como eram pequenas e sensíveis ele as deixariam lá nas próximas 72 horas. Na manhã seguinte puderam ver o rostinho de seus filhos, Yago era maior e mais forte, com poucos cabelos clarinhos, tinha o mesmo olhar de Samuel, com o nariz arrebitado de Dulce e a boca ainda indefinida em sua aparência com seus genitores; Giovana tinha mais cabelinhos e eram bem douradinhos como os de seu pai, já sua boca e olhar lembravam Dulce, com nariz arrebitadinho e olhos acinzentados que ainda não saberiam que cor realmente teriam. Eram perfeitos aos olhos dos pais!
Após 11 dias do nascimento das crianças, mãe e filhos tiveram alta e puderam voltar ao lar, o quarto já estava pronto a espera de seus novos donos. Uma festa pequena de seus familiares concluiu a chegada deles em suas casas. Novas vidas, novos rumos a tomar e a cuidar pensou Samuel, em um misto de alegria e preocupação após a despedida dos familiares. Lembrando ele que os dois estiveram a ponto de se separarem a três anos atrás por incompreensão um com o outro, não por falta de amor, mas por não partilharem das atitudes necessárias um com o outro, meio que por desconhecimento: ele, do lado feminino dela, e ela, do lado masculino dele. Viram que a tolerância foi o maior e mais benéfico remédio em suas vidas. Ele aprendeu a escutá-la sem lhe dar soluções, e ela descobriu que ele necessita ficar encubado muito das vezes pra poder pensar, e que isso não seria uma falta de atenção a ela, e sim uma forma de se restabelecer diante dos problemas do dia a dia. Ele percebeu que uma mulher se realiza quando se percebe especial e adorada, do mesmo modo que ela sentiu que um homem precisa da admiração de sua mulher, olhá-lo atentamente com deleite, com prazer e aprovação. Ela sentindo que é a coisa e pessoa mais importante na vida dele, do que o trabalho, o estudo e o lazer e que é devotada, com muita facilidade, o admira, o inunda com o "Orvalho de Pérola" e assim é a recíproca. Diante dos fatos, em meio aos filhos, ele ainda deve adorá-la, fazendo-a especial sempre, e ela continuar admirando-o, como seres imperfeitos que são, mas cheios de graça e amor divinos.




Vanyr Carlla - Escritora, Poetisa e Artista Plástica
Este conto está no livro "Varal Antológico2"...
Valor R$ 30,00 vanyr_rabelo@hotmail.com

 

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