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A arte está em nós, devemos apenas deixá-la livre pra poder se expressar de alguma forma: escrevendo, pintando, desenhando, cantando, fotografando e até mesmo sonhando... ou seja, do jeito que tem que ser!















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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os Pés de Jabuticaba - Poética Infantil


Em comemoração ao dia nacional do livro infantil vou publicar uma poética infantil de minha autoria, que está publicada na Antologia "Histórias  para Você Dormir 2".


“Eu quero a paz no mundo, a felicidade de nossas crianças; a cada sorriso delas sinto-me mais plena! E o brilho em seus olhos, menino, menina, é como se o orvalho houvesse acabado de cair sobre a relva fina e verde das minhas campinas”.
 

Vanyr Carlla





Os Pés de Jabuticaba 


Eram dois, e entre eles corria água cristalina
Do rego d’água, que da bica vinha.
Suas raízes se esbaldavam da água fresquinha.
Os pés de jabuticaba gostavam da terra molhada, úmida e cheirosa.
Com suas bolas negras e docinhas faziam a festa das crianças!
Desirèe e Lavínia eram as suas preferidas.
Netas do dono da fazenda, que sempre os visitavam.


Ficou combinado que cada pé pertencia a uma delas, e eles se alegraram com isso!
Sentiam-se plenos e vigorosos!
Porque crianças têm um quê de saber, tanta sabedoria, e eles entendiam.
O valor da inocência sem ignorância!
Um carinho puro, verdadeiro sem interesses.
Do abraço sincero de quando elas chegavam sentiam todo o calor.



Já os adultos só os viam quando lhes cabiam.
Encher a pança de suas doces e negras bolinhas.
Desirèe e Lavínia cuidavam deles como uma mãe cuida de seus filhos!
Quando subiam, brincavam e os faziam de lar.
Tão legal ser uma árvore frondosa em meio de tantas outras!
Ser vista e cultivada, por tão doces criaturas!


Meninas, amamos vocês! Amamos sim, não temos coração como vocês!
Mas temos vida, e de outra forma sentimos o pulsar dos seus sentimentos.
Sentimos quando somos maltratadas e mal cuidadas.
Dói-nos saber que nossas amigas árvores sofrem com o desprezo dos adultos.
Com a ignorância e a ganância por um punhado de moedas.


O importante é cuidar e não só precisar!
Ainda temos a sorte de dar frutos periódicos!
Não sofrermos grandes cortes por não ser madeira de lei.
Mas precisamos de que todos cuidem de nossas amigas também!
Meninas, não existe ninguém como vocês.
A sorrir e brincar com nossos galhos ainda vazios.
Com carinho demasiado, com um cuidado tão verdadeiro!


Quando o vento nos balança, sinto um arrepio no galhinho!
De tão feliz por sentir a brisa ou o calor que vem do norte, do sul, do leste ou do oeste.
Cada folhinha nossa, sorri!
Cada galhinho nosso, ama!
Cada tronquinho nosso, acolhe!
Cada raiz nossa, se esforça!
E nós como um todo, agradecemos seu respeito, sua dignidade inocente! 


Quando vão embora, e tanto tempo sem vê-las,
É como se fosse um castigo pra nós.
Porque sentimos assim?
Somos cheias de vida, cheias de vontades também.
Um dia vamos surpreender
Vamos nos mexer e fazer compreender todos que prejudicam as plantas, as árvores. 


Não somos escravas da ganância dos homens.
Somos capazes de limpar o ar que respiram!
Será que isto já não basta?
O que mais querem de nós, além de comerem nossos frutos,
Respirar o ar que limpamos
Que preço caro pagamos, por não ter boca pra gritar.


Mas temos vida! Isso é o que importa.
E a vida de todos depende da nossa também.
Porque será que quando crescem ficam burros e ignorantes?
Ou será que suas moedas limparão o nosso ar?
Pensar e adquirir consciência!
Por mais que não falamos, sentimos o preço da tirania dos grandes.


Da falta de capacidade da maior parte dos adultos.
Da indiferença de cada um que maltrata uma árvore, uma planta.
Crianças cresçam teus corpos, mas não abandone a inocência do teu ser!
Se todos forem assim, quem sabe possam salvar nosso planeta.
Ser um fio de luz no caminho da natureza.
No próprio caminho de vocês.


Vanyr Carlla - É escritora, poetisa e artista plástica de Goiânia, Goiás.